Mesmo sem contar com seu artilheiro Humberto Suazo, a seleção chilena de Marcelo Bielsa não abriu mão de atacar Honduras com veemência nesta quarta-feira, no Estádio Mbombela, de Nelspruit.

Apoiados por uma animada torcida vestida impecavelmente de vermelho, os sul-americanos tomaram controle do jogo desde o início, mostraram uma linha de frente veloz e venceram sua estreia na Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010 por 1 a 0, com gol de Jean Beausejour aos 34 do primeiro tempo – isso embora tenham criado oportunidades o suficiente para aumentar consideravelmente o placar.

A primeira vitória após 48 anos (e 13 jogos) pelo torneio vale à Roja os primeiros três pontos no Grupo H, que tem ainda a Espanha e a Suíça – adversária dos chilenos na próxima segunda-feira, dia 21, em Port Elizabeth, mesmo dia em que os hondurenhos encaram a campeã europeia Espanha no Ellis Park de Johanesburgo.

Todo mundo se mexe
Como bem convém às equipes dirigidas por Marcelo Bielsa, o Chile desde o começo se mostrou disposto a tomar a iniciativa de buscar o ataque. Os hondurenhos, enquanto isso, se fechavam e buscavam se aproximar do campo defensivo dos sul-americanos por meio do veterano Carlos Pavón, seu único atacante de fato.

Para compensar a falta de um centroavante – já que Humberto Suazo, artilheiro das eliminatórias sul-americanas, está se recuperando de lesão -, Bielsa apostou na movimentação: escalou quatro jogadores hábeis e velozes. Alexis Sánchez ocupou a ponta direita e Jean Beausejour, a esquerda. Matias Fernández exerceu a função de meia de ligação e o ex-palmeirense Jorge Valdivia atuou quase como um centroavante. O fundamental nisso tudo foi a movimentação dos quatro homens mais avançados, alem da chegada constante dos dois laterais – Mauricio Isla pela direita e Arturo Vidal pela esquerda.

Nos primeiros 25 minutos de jogo, os chilenos já haviam criado pelo menos duas boas chances, uma numa cobrança de falta de Mati Fernández, logo aos três minutos, e outra com Valdivia, que teve seu tiro da entrada da área desviado pela zaga apos boa jogada de Alexis Sánchez.

O gol que faltava
Honduras ainda ameaçou equilibrar o jogo, com um pouco mais de posse de bola no meio-campo – amplamente dominado pela Roja. Julio Cesar “Rambo” de Léon, cortado por lesão, fez falta aos catrachos. Foram duas finalizações de fora da área hondurenhas que chegaram a ameaçar o gol de Claudio Bravo, mas nada que impedisse os chilenos de assumirem de vez o controle da partida pouco depois, com o primeiro gol.

O lance foi resultado justamente da movimentação que Bielsa procurou implantar para compensar a falta de seu homem de área: Matias Fernández recebeu na meia direita e esperou pela passagem de Isla, dentro da área. O lateral da Udinese cruzou rasteiro para o meio da pequena área, onde Beausejour chegou junto com o zagueiro para desviar para a rede.

O segundo tempo, embora tenha começado em ritmo mais morno, não foi muito diferente com relação à superioridade chilena. Gonzalo Jara entrou na vaga de Rodrigo Millar, e permitiu então que Vidal se deslocasse para o meio-campo, o que deu ainda menos chances de os comandados de Reinaldo Rueda – que, suspenso, não se sentou no banco de reservas - manterem a posse de bola.

A primeira grande oportunidade clara chegou aos 17 minutos, em mais uma de tantas trocas de passes envolventes, que acabou com a entrada na área de Alexis Sánchez – um dos destaques do jogo – e o chute cruzado rente à trave de Noel Valladares. Apos uma bola lançada à área, aos 20, por muito pouco o zagueiro Gary Medel não marcou, obrigando o goleiro hondurenho a uma bela defesa quando a bola já quase passava da linha do gol. O segundo do Chile parecia amadurecer, mas a superioridade ampla acabou se restringindo ao campo de jogo, e não ao placar. O 1 a 0, no final, ficou até com cara de ser pouco, mas os três pontos que valeram certamente não.