Portugal e Costa do Marfim empataram, a zero, no jogo de abertura do Grupo G da Copa do Mundo da FIFA, dosputado no Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth. O encontro foi extremamente equilibrado – como se esperava -, mas a melhor oportunidade e o momento mais brilhante de todos os 90 minutos pertenceu a Portugal e, concretamente, a Cristiano Ronaldo, que acertou no poste da baliza africana.

Num jogo disputado sob muito frio e, na segunda parte, alguma chuva, esperava-se muito dos ataques das duas selecções, mas acabaram por ser as defesas a ter o papel mais importante no Estádio Nelson Mandela Bay. Um enorme rigor e muita atenção às movimentações adversárias impediram os golos e levaram o 0-0 até final, num resultado que não altera, em nada, a ambição das duas selecções no Grupo G deste Mundial.

Depois de um início de jogo alto lento, com as duas selecções a mostrarem muito respeito uma pela outro, eis que, aos 11 minutos, Ronaldo decide mexer com os acontecimentos. O número sete recebeu a bola de costas para a baliza, com um fantástico toque de calcanhar tirou um adversário do caminho e, de muito longe, rematou com muita força e muito, muito azar: a bola foi devolvida pelo poste da baliza de Barry.

A Costa do Marfim respondeu com um livre directo de Tiene que, de pé esquerdo, fez a bola passar relativamente perto do alvo. Logo a seguir, foi Tiote a tentar a sua sorte, mas, mais uma vez, a bola não acertou na baliza à guarda de Eduardo.

Aos 23 minutos, Gervinho ganhou um ressalto sobre Ricardo Carvalho já dentro da área, mas quando se preparava para rematar surgiu Paulo Ferreira, muito bem, a fazer um corte providencial.

O intervalo chegou sem que nenhuma das selecções voltasse a levar perigo à área contrária, o que se alterou logo no segundo minuto da etapa complementar, com um remate cruzado de Gervinho a assustar Eduardo.

Já depois de Kalou ter testado a atenção do guarda-redes português e de Simão ter entrado para o lugar de Danny – com Portugal a passar a jogar em 4x4x2 -, Deco teve uma boa iniciativa pela esquerda e cruzou para o cabeceamento de Liedson que, no entanto, saiu direitinho para as mãos de Barry.

O jogo ganhava mais velocidade por esta altura, mais emoção, e, aos 66 minutos, o Estádio Nelson Mandela Bay fez uma enorme festa. Não que alguma das selecções tenha marcado um golo, mas porque a grande estrela marfinense, Didier Drogba, foi lançado em campo por Sven-Goran Eriksson.

À entrada do último quarto de hora, os adeptos portugueses voltaram a sentir que o golo estava perto, com remates sucessivos de Raul Meireles e Cristiano Ronaldo a levarem as bancadas a soltar um enorme “uohhh” de emoção.

Foi uma das últimas acções no jogo do médio português, já que Meireles acabaria por ser substituído, devido a cãibras, com Carlos Queiroz a lançar Rúben Amorim para o seu lugar. O médio do Benfica estreou-se, assim, em jogos oficiais por Portugal, depois de ter sido o último elemento a juntar-se ao grupo, substituindo o lesionado Nani.

À medida que o final do jogo se aproximava, notava-se cada vez mais a preocupação das duas selecções em não cederem qualquer oportunidade ao adversário. Afinal, tratava-se do primeiro jogo no Mundial, as pernas de alguns jogadores já davam sinais de cansaço e uma eventual derrota poderia significar um futuro muito negro na busca de um lugar nos oitavos-de-final.

Ainda assim, Portugal procurou jogar sempre mais no meio-campo adversário, mas, já nos descontos, foi Didier Drogba que esteve a centímetros de desempatar o jogo, num lance que levou o estádio ao rubro. Mas a festa acabou por ser feita pelas duas equipas. Afinal, o empate não deu desgostos a ninguém.