O último jogo da primeira rodada da Copa do Mundo da FIFA apresentou a maior zebra do torneio até agora. Atual campeã europeia e apontada como uma das grandes favoritas ao título, a Espanha foi derrotada pela Suíça por 1 a 0, em resultado que deve virar o Grupo H de ponta-cabeça.

Com o fim dos primeiros jogos, chilenos e suíços dividem a liderança da chave com três pontos, enquanto os espanhóis vão tentar se reerguer contra os hondurenhos, no jogo dos derrotados.

A quarta-feira em Durban prometia ser de festa para a “Fúria”, que chegava à marca de 50 partidas em Mundiais. No entanto, a derrota acabou encerrando uma série invicta de 12 partidas, exatamente como no ano passado, quando perdeu longa invencibilidade após a derrota para os Estados Unidos na semifinal da Copa das Confederações da FIFA 2009.

Para a Suíça, a vitória foi a primeira da história sobre a Espanha depois de 15 derrotas e três empates. A defesa também voltou a ser o destaque da seleção, que chegou ao seu quinto jogo seguido em Copas do Mundo sem tomar gols. Agora, são nada menos que 494 minutos sem que os adversários tenham balançado a rede.

A proposta de jogo das duas equipes ficou clara desde os primeiros minutos. Desfalcada de Alexander Frei, o técnico Ottmar Hitzfield segurou ainda mais a equipe, deixando muitas Nkufo sozinho na frente. Enquanto isso, a Espanha trocava passes com facilidade na intermediária e ia aos poucos tentando furar o grande bloqueio adversário.

Apesar do domínio, a primeira chance só veio aos 24 minutos e em uma jogada característica do Barcelona. Após cruzamento, Iniesta lançou Piqué dentro da área. Assim como contra a Inter de Milão, na semifinal da Liga dos Campeões, o zagueiro cortou o último adversário, mas chutou em cima de Benaglio.

Sem ser ameaçada, a “Fúria” seguiu atacando e chegou inúmeras vezes com perigo, uma delas com Iniesta, após lançamento preciso de Silva. Antes do apito, a Espanha fez um último abafa e criou duas chances perigosas, a primeira novamente com Iniesta e outra com Villa, que cortou o zagueiro e tentou um toque de categoria por cima de Benaglio.

No segundo tempo a história se repetiu, com muito mais posse de bola da Espanha. Iniesta, Xavi e Silva rondavam a área suíça e tentavam lançamentos curtos para Villa ou os meias que chegavam de trás. Mas, mesmo pressionada, a Suíça conseguiu o que até então parecia impossível.

Em reposição de Benaglio, a bola atravessou o campo e sobrou para Derdyiok, que dividiu com Casillas na área. Na sobra, Gelson Fernandes ganhou de Piqué e só empurrou para o gol vazio.

O gol suíço gerou certo desespero nos espanhóis, mas as chances ias se acumulando, principalmente com Iniesta pela esquerda e Silva pela direita. Aos 16, Vicente del Bosque colocou Fernando Torres e Jesús Navas para tentar mudar o ataque, mas os dois atacantes criaram pouco. O verdadeiro lance de perigo veio aos 23 minutos, com Xabi Alonso, carimbando a trave de Bengalio.

A Suíça seguia se postando bem e por pouco não ampliou em uma linda jogada de Derdyiok. O meia invadiu a área, cortou Piqué e Puyol e deu um leve toque na bola, que, caprichosamente, bateu na trave.

Nos últimos minutos a pressão foi de forma desorganizada, mas os sustos espanhóis se seguiam com bolas alçadas na área e alguns chutes perigosos. Com incrível determinação, a Suíça se segurou e garantiu mais um triunfo histórico para Hittzfield.